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No momento em que, mais uma vez, as vísceras do poder estão
expostas à exibição pública, recomenda-se
ouvir o médico Adib Jatene, um dos mais competentes cardiologistas
do País. Duas vezes ministro da Saúde (nos governos
Collor e FHC), secretário da Saúde do Estado de
São Paulo (entre 1979 e 1982), Jatene é um homem
público na acepção mais completa do termo.
Com lucidez e memória espantosas, descreve nesta entrevista
as razões do histórico fracasso do Estado em resolver
problemas crônicos do País, a saber: a distribuição
de renda indigente, a corrupção endêmica,
o histórico descaso do Estado com os mais necessitados
e o apetite voraz dos interesses privados diante da coisa pública.
CartaCapital: Qual é, no seu entendimento,
o problema maior do Brasil?
Adib Jatene: O grande problema deste país é
a corrupção, não só a grande corrupção,
mas também a pequena corrupção. É
o indivíduo que você chama para consertar o televisor
e tem a sensação de que ele vai te enganar. É
o carro que você deixa na oficina e tem a sensação
de que vão te enganar. Isso cria um ambiente frouxo,
de pouca cobrança. Agora, se isso começou de cima
para baixo ou de baixo para cima, é difícil saber.
CC: E a desigualdade, onde o senhor a coloca?
AJ: Parto do pressuposto de que a desigualdade e a concentração
de renda só podem acontecer se os que geram a renda se
apropriam dela, caso contrário não poderia acontecer.
E como é que as pessoas se apropriam da renda que geram?
Só tem um jeito: sonegando. Para sonegar, há vários
mecanismos, alguns legais e outros ilegais. Isso é que
faz com que, na minha avaliação, a carga tributária,
de 36%, 38%, possa ser muito menor se for considerado aquilo
que deixa de ser arrecadado. Então a concentração
de renda é fruto de sonegação. E é
isso que gera a corrupção.
CC: O senhor acha evidentemente que a saúde
moral do País está pior do que a saúde
física? Ou não?
AJ: Vejo um mecanismo de reação.
Crises como essa que estamos vivendo melhoram muito, porque
trazem problemas novos. Você vê pela manifestação
do público, que manda cartas para os jornais, para as
revistas, quer dizer, está havendo uma conscientização.
As próprias empresas, com mais responsabilidade social,
estão ajudando mais. O governo sozinho não tem
capacidade de resolver os problemas.

" Cuba ofereceu a dose
da vacina por US$ 2,40. Na licitação, subiu para
US$ 3,80. E evidente que houve um acordo"
CC: O senhor foi ministro duas vezes, e diz que o
maior problema do País é a corrupção.
O senhor deve ter visto muita coisa. pelo menos no varejo, essa
pequena corrupção, essa romaria de deputados em
gabinete...
AJ: São coisas muitas vezes legais. Nunca comentei
com ninguém, mas eu fiz uma licitação para
comprar vacina contra hepatite B. Vacina contra hepatite B era
cara, US$ 5 ou US$ 6 a dose. E eu pedi 20 milhões de
doses. Recebo um telefonema do embaixador de Cuba, ele pediu
uma audiência e trouxe o presidente do laboratório.
Eles vieram me oferecer a US$ 2,40 a dose. Eu disse: "Com
esse preço você ganha a licitação".
Bom, encurtando a conversa, terminada a licitação,
sobraram três empresas: a de Cuba, uma da Bélgica
e uma da China. Cada uma delas poderia fornecer 20 milhões
de doses. Mas uma propôs vender 6,5 milhões de
doses a US$ 3,80. Outra entrou com 6,5 milhões a US$
3,85. E a outra entrou com 8 milhões de doses a soma
deu 21 milhões, para disfarçar um pouco - a US$
3,90. E evidente que houve um acordo.
CC: Isso foi em que ano?
AJ: 1995.
CC: E Cuba tinha oferecido a US$ 2,40...
AJ: Você não ouviu o resto da história.
A Fundação Nacional de Saúde pegou aquilo,
chamou os três, que a lei de licitação permite,
e perguntou se todos concordavam em dar pelo menor preço,
que era US$ 3,80. E concordaram. Tá tudo bem, não
tem nenhuma irregularidade no processo. A Fundação
homologou e publicou no Diário Oficial. Eu cancelei.
Cancelei e eles vieram em cima, que iam me processar porque
não tinha "nenhuma irregularidade" no processo.
"O senhor aponte a irregularidade:' Eu disse: "Não
tem irregularidade. Acontece que um dos licitantes me ofereceu
por US$ 2,40, então não vou pagar US$ 3,80".
Então, até refazer tudo leva tempo, e eu recebi
uma nova proposta de Cuba, oferecendo 40 milhões de doses
a US$ 2,40, que é o preço que eles tinham me oferecido.
Não se passaram 20 dias, recebi uma carta - isso tudo
está no processo - do laboratório da Bélgica
me oferecendo 40 milhões de doses por US$ 1,80. Daí
a pouco vem o embaixador de Cuba, outra vez, dizendo que o Comandante
Fidel tinha muito interesse na relação com o Brasil,
e como prova desse interesse me oferecia 40 milhões de
doses por US$ 1,40. Daí a pouco chega da China o senador
Edison Lobão, que foi lá numa missão, e
me traz um ofício do laboratório da China me oferecendo
por US$ 0,99. Ou seja, numa licitação pequena
dessas, tem mais de USS 50 milhões de diferença.
CC: E como é que acabou a história?
AJ: O ministério acabou comprando da Organização
Mundial da Saúde sem licitação por cerca
de US$ 1. Esse é só um exemplo de uma licitação,
de um produto... Você imagina o que acontece nessas licitações...
CC: E tudo com aparência legal...
AJ: Tudo legal. Lembro da época do Adhemar de
Barros, mais ou menos em 1965, quando nós conseguimos
construir o primeiro prédio do hospital Dante Pazzanese,
em São Paulo. Foram lançadas 47 licitações.
Todas tinham um licitante. Então foi uma celeuma na Assembléia
Legislativa.. Cancelaram a licitação. Abriram
de novo: todas tinham dois licitantes. Um com o preço
normal e o outro com o preço lá em cima. É
muito difícil você combater essa coisa. Agora o
Estado está comprando por pregão eletrônico.
Melhorou. Por isso digo que estamos progredindo. Essas coisas
não se fazem de repente. Nada começa pronto. E
o que é difícil ninguém faz porque é
difícil. E para você arrumar tudo num país
com uma estrutura como a nossa, pluripartidária, com
eleição a cada dois anos, que gera conflito, deixa
seqüelas... E depois você tem de trabalhar sem subordinação
hierárquica...

" Cada vez que muda ministro
ou secretário, muda tudo, vira um deus- nos-acuda. Isso
destruiu o serviço público"
CC: Como assim?
AJ: O governo do estado não é subordinado
à União. O secretário da Saúde não
é subordinado ao ministro. O prefeito faz tudo o que
a Câmara dos Vereadores autorizar e a Justiça não
impedir. O Paulo Maluf fez isso. Fez o PAS, todas as unidades
de saúde foram contra, ele tinha maioria na Câmara,
aprovaram e ele implantou. Todos entraram na Justiça,
a Justiça não impediu e ele fez. Então
é muito complicado.
CC: O quanto contribui, de um modo geral, para essa
situação, o fato de que nós tenhamos um
sistema burocrático muito mal organizado?
AJ: O sistema burocrático não foi sempre
mal organizado. A gente tem de distinguir o sistema público
do sistema privado. No sistema privado, a cúpula é
estável, é permanente. Ela traça objetivos
de longo prazo e cuida para que eles sejam atingidos. A estrutura
depende do desempenho e sabe disso, então funciona. No
serviço público é o contrário. A
cúpula é transitória. Então, se
a cúpula é transitória - um ministro, um
secretário de estado, raramente dura quatro anos, ela
não tem como traçar objetivos de longo prazo e,
se traçar, não tem como fazer com que sejam cumpridos.
Por isso que você tem uma enormidade de obras inacabadas
no Brasil. Quando assumi o ministério fiz um levantamento
e havia mais ou menos 1.200 obras paralisadas. Porque o sujeito
começa um hospital, chega o outro e pára porque
não tem mais dinheiro, e vai começar outro e aí
vira um problema.
CC: Por motivações políticas?
AJ: É claro. A estrutura do serviço público
tinha de ser permanente. Quando o Bresser-Pereira, no começo
do governo Fernando Henrique, disse que ia quebrar a estabilidade,
convoquei a imprensa e disse: "O doutor Bresser está
equivocado, o diagnóstico dele está errado. O
problema não é este". O problema é
que a cúpula da estrutura, ou seja, os cargos de direção
foram transformados em cargos de livre provimento, cargos chamados
"em comissão". Mas quem fez isso? Quem fez
isso foi o presidente Castello Branco, quando reestruturou.
CC: A reforma administrativa.
AJ: Reforma administrativa. Nós tínhamos
autarquias. Eles criaram autarquias, criaram a empresa pública
e criaram a sociedade de economia mista. Em seguida, um decreto,
se não me engano do governo Médici, transformou
os cargos de direção em cargos "em comissão
de livre provimento". Aí começou o problema,
porque podiam ser indivíduos da iniciativa privada ou
indivíduos da carreira do servidor. E a carreira do servidor
acabou em chefe de seção.
CC: Com o tempo, a coisa piorou.
AJ: A cúpula, que era sempre política,
foi colocando nos cargos em comissão, que eram os mais
bem remunerados e eram cargos de direção da estrutura,
aqueles indivíduos que trabalhavam com eles. Os apadrinhados.
Que, na maior parte das vezes, não conheciam bem o setor
que iriam administrar, e que sabiam por antecipação
que não iam ficar por muito tempo. Isso desestruturou
o serviço público. Agora, isso é assim
no mundo inteiro? Quando o Giscard D'Estaing, que era conservador,
perdeu para o Mitterrand, quantas pessoas mudaram na administração
pública da França? Só 400. São os
cargos de cúpula, alguns assessores, só isso,
mas a estrutura do serviço público é estável.
CC: Bem diferente da situação nativa.
AJ: Quem garante a continuidade do serviço público
é a estrutura, enquanto na iniciativa privada quem garante
é a cúpula. Agora, no momento em que você
destrói a estrutura, porque você fica mudando a
direção, cada vez que muda um ministro ou um secretário
muda tudo, vira um "deus-nos-acuda". Aqueles que conhecem
o serviço público, que estão na carreira,
assistem a pessoas que vêm para os cargos mais importantes
da estrutura, de forma aleatória. Hoje, é um,
amanhã, é outro... Isso destruiu a capacidade
do serviço público. Na minha avaliação,
o grande problema é restabelecer a carreira do servidor
público, por acesso.
CC: A certa altura o senhor achou melhor se retirar
do ministério, não foi?
AJ: Nós tínhamos feito algumas propostas.
Primeiro, reduzir a mortalidade infantil à metade. Segundo,
reduzir os índices de malária e de dengue, se
possível eliminar a dengue. Terceiro, rearrumar o sistema
de atendimento à saúde, que eu via através
do programa de saúde da família e o estabelecimento
do que nós sempre chamamos de uma regionalização
e uma hierarquização. Os recursos não davam
para isso e eu não tinha como buscar mais. Em dezembro
de 1994 extinguiu-se o IPME Então, diante da situação
em que eu me encontrava, tinha de criar um novo tributo, uma
nova fonte, porque as minhas fontes eram Cofins, lucro líquido,
PIS-Pasep, parcelas desses, que faziam uma cesta que dava R$
15 bilhões, que eu considerava insuficiente para um país
que na época tinha pouco mais de 160 milhões de
habitantes - dá menos de R$ 100 per capita/ano. Os países
da Europa oscilam entre US$ 1.500 e US$ 1.800 per capita/ano.
No Canadá, são US$ 1.900 per capita/ano. Os EUA
gastavam US$ 3.500 per capita/ano. A Austrália gastava
quase US$ 2 mil per capita/ano. A Argentina gastava US$ 800
per capita/ano. E nós R$ 100 per capita/ano. Absolutamente
ridículo. Você tinha R$ 15 bilhões, uma
montanha de dinheiro, mas divide isso pela população
e vê que isso não dá nada.

" Os deputados recebem
apoio do poder financeiro e têm compromissos.
Por isso digo que grande parte da sonegação é
legal"
CC: Como a história do nosso PIB...
AJ: Isso não dá nada. Então eu
disse: "Vamos refazer, reimplantar o IPMF, mas não
como imposto, como contribuição". O ministro
Marco Aurélio de Mello, do STF, dizia que eu mudei o
"sexo" do tributo. Era um imposto e eu pus contribuição.
Eu disse: "O ministro Marco Aurélio talvez não
esteja familiarizado com o orçamento, e ele não
sabe que um imposto tem anualidade e não pode ser vinculado,
enquanto a contribuição não tem anualidade
e pode ser vinculada e, como eu queria vincular tributo ao Ministério
da Saúde, tinha de ser contribuição e não
imposto". Bom, mas antes de propor isso fui falar com o
presidente (FHC), fui falar com o Malan, fui falar com o Serra,
que era ministro do Planejamento, e o Serra me disse: "Olha,
Jatene, não posso te ajudar. Não é por
nada, é porque por princípio sou contra a vinculação.
Eu me bati na Constituinte, eu votei contra a vinculação
e não posso te ajudar a vincular recurso". O Malan,
a mesma coisa: "Não posso te ajudar a vincular recurso,
nós estamos lutando contra a vinculação
para ter mais liberdade de aplicação". Bom,
se você tiver liberdade de aplicação, nós
estamos mortos, porque vocês não vão me
dar. E fui falar com o presidente: "Olha, presidente, preciso
manter o meu orçamento em um valor real, e vou buscar
o que está faltando". Ele disse: "Você
não vai conseguir". Eu disse: "Posso tentar?"
Ele disse: "Pode e eu te ajudo, mas você não
vai conseguir".
CC: E o senhor?
AJ: Então fui pelejar. Todas as entidades patronais
foram contra. Fui na Fiesp, na Federação do Rio
Grande do Sul, na Firjan, fui no Brasil inteiro discutir primeiro
a necessidade, segundo a proposta que estava fazendo e terceiro:
"Me ofereçam uma alternativa". Foi o que eu
fiz no Congresso. Uma quantidade enorme de reuniões com
bancadas, com partidos, uma luta. Atrasou muito. Era para se
aprovar em 1995. Foi aprovado em outubro de 1996, para valer
em 1997. Em 1995, tive um orçamento de praticamente R$
15 bilhões. Em 1996, o que gastei foram R$ 14 bilhões,
mais R$ 2 bilhões que consegui de empréstimo no
FAT. Ficou como dívida. E a minha CPMF ia ser começada
em 1997. Naquele ano, a inflação foi de 30%. Para
eu ter o mesmo valor, o orçamento devia ser de R$ 19,5
bilhões, mais a CPMF, que ia ser R$ 8 bilhões:
eu deveria ter R$ 27,5 bilhões em 1997. Bom, o orçamento
para 1997 foi, se não me engano, de R$ 18 bilhões.
Não cobria nem a inflação do período
nem a inflação de 1996. Eu pelejei com o Malan,
o Clóvis Carvalho... O Clóvis foi intransigente.
Então fui falar com o Fernando Henrique: "Olha,
presidente, quando eu ia ao Congresso os deputados me diziam
que isso iria acontecer. 'Se nós te aprovarmos esse tributo
eles vão tirar as tuas outras fontes e pôr isso
como substituto'. E eu dizia que não, porque eu tinha
a sua palavra. Agora, se o senhor não consegue com que
isso seja cumprido, e eu até entendo a sua dificuldade,
o senhor vai ter de pôr outro no meu lugar, porque se
eu continuar no ministério, depois de toda essa batalha,
a impressão que vai ficar é a de que eu quero
ser ministro. Eu não quero ser ministro, vim aqui para
lhe ajudar. Não tinha recurso, criei o recurso, agora
não posso aceitar uma coisa desse tipo". E foi por
isso que eu saí.
CC: É verdadeira a história de que
um certo deputado, não declaremos o nome, o procurou
pedindo que o senhor convencesse o financiador das suas campanhas,
um banco, a aceitar a CPMF?
AJ: Você está me pondo em uma situação
complicada...
CC: Não precisa dizer o nome do deputado...
AJ: Os deputados recebem financiamento do poder financeiro
e assumem um compromisso. Por isso digo que grande parte da
sonegação é legal. Eu vou dar um outro
exemplo. Quando, em 1996, nós conseguimos proibir a propaganda
de cigarro e de bebida antes das 21 horas na televisão,
no dia da votação passou um artigo que dizia assim:
"Essa lei não se aplica às bebidas com teor
alcoólico inferior a 13°", para livrar a cerveja
e para livrar o vinho. Quando nós fomos regulamentar
a CPMF passou um artigo que dizia assim: "Fica proibida
a Receita Federal de utilizar as informações da
CPMF para aferir Imposto de Renda". Foi preciso que o Everardo
Maciel demonstrasse que dos cem maiores contribuintes da CPMF,
62 nunca tinham pago IR. Demonstrar que tinha microempresa,
que por definição não pode movimentar mais
que R$ 10 mil por mês, que movimentava R$ 100 milhões
por ano. Aí o Congresso cedeu e permitiu cruzar as informações.
A arrecadação da Receita, que era de R$ 7,5 bilhões
por mês, passou para R$ 20 bilhões e agora está
em R$ 27 bilhões.

" Ouvi no governo: 'Ministro,
é muito dinheiro que o senhor está gastando com
Aids. Eles vão morrer mesmo' "
CC: O que o senhor acha dessa questão da quebra
da patente de remédios para Aids?
AJ: O grande sucesso do Serra foi ter ameaçado
quebrar a patente, e eles baixaram o preço. Porque o
Brasil é o único país que dá gratuitamente
o remédio para Aids. Essa discussão começou
na minha gestão. Convocamos 52 especialistas. Ficaram
dois dias discutindo. E chegaram à conclusão de
que o ministério devia fornecer o remédio gratuitamente.
Era a única forma de controlar a epidemia. Resultado,
o programa brasileiro contra a Aids é o mais avançado
do mundo. Teve um secretário-executivo de um ministério
que chegou a me dizer: "Mas, ministro, é muito dinheiro
que o senhor está gastando com Aids, eles vão
morrer mesmo".
CC: Secretário-executivo de um ministério?
É praxe a insensibilidade dessa turma que está
por cima. AJ: Eu não diria só insensibilidade. Eu
digo que eles estão perplexos com as dificuldades e não
conseguem estabelecer as verdadeiras prioridades de investimento.
Porque em relação ao sistema de saúde há
um problema muito sério, mais ou menos parecido com a
educação: quando você termina uma obra,
começa a despesa, e vai ser duas vezes o que você
gastou para construir por ano. Então quanto mais você
realizar na área da saúde, mais despesa vai ter
e mais compromete o orçamento. E como o administrador
tem outras demandas - ele tem de fazer a limpeza do rio Tietê,
tem de arrumar não sei o quê - e ele quer fazer
obra, porque entende que, se não fizer obra que a população
veja, ele não se elege, e o custeio (de um hospital)
não vai dar nada, então ele segura. Segura as
obras. Não faz, não executa.
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