Segundas e sextas-feiras são dias
especiais na vida da sergipana
Maria Maura de Menezes.É quando ela recebe a visita de
Claudinéia Conceição Palmeira, a
profissional que acompanha a idosa
de 63 anos que há 29 foi diagnosticada
com esclerose múltipla.
Claudinéia é integrante de uma
das 19 equipes do Programa Acompanhante
de Idosos (PAI), iniciativa pioneira
em São Paulo, inédita no Brasil,
desenvolvida em 2006 pela Secretaria
Municipal da Saúde (SMS). Com o objetivo
de incluir o idoso na esfera social,
o PAI atende atualmente 2 mil idosos,
faz quase 14 mil atendimentos mensais
e mais de 30 mil procedimentos.
De acordo com Marília Berzins,
assistente-técnica da Saúde do Idoso
da Atenção Básica da SMS, o envelhecimento
populacional está ocorrendo a
velocidade muito grande e a cidade de
São Paulo não foge à regra mundial. “Hoje, a população idosa no Município é de 12%. Com o PAI, a proposta é estabelecer o atendimento digno
a essa população com dependência
funcional, garantindo as necessidades
de saúde e a sua permanência na
comunidade durante o maior tempo
possível”, explica Marília.
“Após a morte do meu esposo, o
PAI se tornou a minha família”, declara
Maria Maura, lembrando que o marido,
falecido no início do ano, também
recebia os benefícios do PAI desde
2008. Emocionada, a idosa descreve
o ritual que se segue toda vez que sua
acompanhante a visita: “Ela passa cremes
e hidratantes em meu corpo, faz
massagem e vai comigo às compras”. E, quando precisa fazer algum exame,
Claudinéia a leva de carro. “Já conheci
até o Morumbi graças ao PAI!”, conta,
entusiasmada, lembrando-se das vezes
que teve de ir ao ‘bairro chique’ para
realizar alguns exames. |
Além da acompanhante, Maria
Maura conta com a visita semanal de
um auxiliar de enfermagem e, conforme
a necessidade, de enfermeiro
e médico. E não é só a idosa que se
beneficia do tratamento recebido. Ao
desenvolver seu trabalho, Claudinéia
ensina, passa conhecimentos, mas
também aprende muito. “Paciência.
Tudo se resume nessa palavra. Mudei
muito minha maneira de enxergar a
velhice. Hoje tenho mais tolerância
e respeito com tudo e com todos, e
estou mais atenta à saúde”.
Das recordações mais emocionantes
na vida de Maria Maura, ela se
lembra da festa de Natal de 2009,
organizada pelo PAI. Durante o
evento, foi pedido que cada idoso
contasse momentos marcantes que
tiveram com seus acompanhantes.
Na hora, faltando-lhe as palavras, ela
anunciou que cantaria uma música
e soltou a voz: “Eu tenho tanto pra
lhe falar, mas com palavras não sei
dizer, como é grande o meu amor
por vocês”. E assim, com a canção de
Roberto Carlos, Maria Maura resumiu a
gratidão pelo programa e em especial
por Claudinéia, sua acompanhante há dois anos e hoje também sua amiga.
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CONHECENDO O PAI -
O Programa Acompanhante de
Idosos teve início em 2006 e expandiu-se
em 2008, consolidando-se como
uma política pública que contempla a
população idosa em situação de fragilidade
e vulnerabilidade social. No início
do ano, o programa passou por uma
ampliação, com o aumento do número
de equipes de 14 para 19, distribuídas por todas as coordenadorias do Município.
Cada uma delas acompanha, em
média, 100 idosos e é composta por
médico, enfermeira, auxiliares, assistente
social, assistente-administrativo,
acompanhantes e motorista.
Para ter acesso ao programa,
basta que o idoso passe por uma
avaliação na Unidade Básica de Saúde
(UBS) em que é atendido.
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Foto: cortesia Área Técnica da Saúde do Idoso
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