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Programa pioneiro leva acolhimento,
auto-estima e dignidade aos idosos



Matéria extraída do Diário Oficial da Cidade de São Paulo
Número 156 - ano 56 - 19 de agosto de 2011


Texto: Adriana Cortez e Cintia Menezes
adricortez@prefeitura.sp.gov.br
cintiamenezes@prefeitura.sp.gov.br

Segundas e sextas-feiras são dias especiais na vida da sergipana Maria Maura de Menezes.É quando ela recebe a visita de Claudinéia Conceição Palmeira, a profissional que acompanha a idosa de 63 anos que há 29 foi diagnosticada com esclerose múltipla.

Claudinéia é integrante de uma das 19 equipes do Programa Acompanhante de Idosos (PAI), iniciativa pioneira em São Paulo, inédita no Brasil, desenvolvida em 2006 pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS). Com o objetivo de incluir o idoso na esfera social, o PAI atende atualmente 2 mil idosos, faz quase 14 mil atendimentos mensais e mais de 30 mil procedimentos.

De acordo com Marília Berzins, assistente-técnica da Saúde do Idoso da Atenção Básica da SMS, o envelhecimento populacional está ocorrendo a velocidade muito grande e a cidade de São Paulo não foge à regra mundial. “Hoje, a população idosa no Município é de 12%. Com o PAI, a proposta é estabelecer o atendimento digno a essa população com dependência funcional, garantindo as necessidades de saúde e a sua permanência na comunidade durante o maior tempo possível”, explica Marília.

“Após a morte do meu esposo, o PAI se tornou a minha família”, declara Maria Maura, lembrando que o marido, falecido no início do ano, também recebia os benefícios do PAI desde 2008. Emocionada, a idosa descreve o ritual que se segue toda vez que sua acompanhante a visita: “Ela passa cremes e hidratantes em meu corpo, faz massagem e vai comigo às compras”. E, quando precisa fazer algum exame, Claudinéia a leva de carro. “Já conheci até o Morumbi graças ao PAI!”, conta, entusiasmada, lembrando-se das vezes que teve de ir ao ‘bairro chique’ para realizar alguns exames.
Além da acompanhante, Maria Maura conta com a visita semanal de um auxiliar de enfermagem e, conforme a necessidade, de enfermeiro e médico. E não é só a idosa que se beneficia do tratamento recebido. Ao desenvolver seu trabalho, Claudinéia ensina, passa conhecimentos, mas também aprende muito. “Paciência. Tudo se resume nessa palavra. Mudei muito minha maneira de enxergar a velhice. Hoje tenho mais tolerância e respeito com tudo e com todos, e estou mais atenta à saúde”.

Das recordações mais emocionantes na vida de Maria Maura, ela se lembra da festa de Natal de 2009, organizada pelo PAI. Durante o evento, foi pedido que cada idoso contasse momentos marcantes que tiveram com seus acompanhantes. Na hora, faltando-lhe as palavras, ela anunciou que cantaria uma música e soltou a voz: “Eu tenho tanto pra lhe falar, mas com palavras não sei dizer, como é grande o meu amor por vocês”. E assim, com a canção de Roberto Carlos, Maria Maura resumiu a gratidão pelo programa e em especial por Claudinéia, sua acompanhante há dois anos e hoje também sua amiga.

- CONHECENDO O PAI -

O Programa Acompanhante de Idosos teve início em 2006 e expandiu-se em 2008, consolidando-se como uma política pública que contempla a população idosa em situação de fragilidade e vulnerabilidade social. No início do ano, o programa passou por uma ampliação, com o aumento do número de equipes de 14 para 19, distribuídas por todas as coordenadorias do Município. Cada uma delas acompanha, em média, 100 idosos e é composta por médico, enfermeira, auxiliares, assistente social, assistente-administrativo, acompanhantes e motorista.

Para ter acesso ao programa, basta que o idoso passe por uma avaliação na Unidade Básica de Saúde (UBS) em que é atendido.

Foto: cortesia Área Técnica da Saúde do Idoso


Foto: Cortesia PAI Cidade Ademar

EXIGÊNCIAS PARA SER ACOMPANHANTE DE IDOSOS

- Ter 18 anos ou mais;
- Ensino fundamental;
- Disponibilidade de 40 horas semanais.

COMO É FEITA A CONTRATAÇÃO

São escolhidos preferencialmente os candidatos da região em que está a unidade de saúde que terá a equipe do PAI. Isso porque eles têm de sair às ruas, conhecer a estrutura do bairro, estabelecer uma rede de apoio à pessoa, contatar a família do idoso e os vizinhos.

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