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MORRE KURT KLOETZEL MEMBRO DO COMITÊ CIENTÍFICO
DA ASSOCIAÇÃO SAÚDE DA FAMÍLIA
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Kurt Kloetzel nasceu em 1924 e, após estudar Engenharia, optou por regressar à Universidade de São Paulo e estudar Medicina, graduando-se em 1955. As doenças tropicais atraíram sua enorme energia, e começou em seguida a realizar pesquisas sobre doença de Chagas e esquistossomose. Suas atividades de apoio a ativistas perseguidos pela ditadura militar o forçaram a buscar exílio no exterior, sendo que passou a atuar profissionalmente nos Estados Unidos. De volta ao Brasil, Kurt seguiu com suas pesquisas que lhe valeram reconhecimento internacional, principalmente no que diz respeito ao controle da esquistossomose.
Kurt sempre foi um clínico astuto e com grande empatia por seus pacientes, o que lhe levou a passar das atividades de pesquisa laboratorial e epidemiológica para a pesquisa clínica e a assistência médica. |
Seus livros sobre medicina preventiva e, em especial, “Raciocínio Clínico” são obras primas que merecem ser lidas por todos os profissionais envolvidos em atenção médica. A valorização do contato e da comunicação com os pacientes, do exame físico seletivo, e do uso crítico e comedido de exames laboratoriais, caracterizavam seu estilo de praticar e ensinar medicina.
Com uma personalidade inquieta, Kurt, em suas próprias palavras, não era de “levar desaforo para casa”, o que fez com que houvesse mudado diversas vezes de emprego, por não compactuar com políticas ou normas cujo interess! e maior não fosse o bem-estar de seus pacientes. Em 1976, veio para Pelotas no Rio Grande do Sul, para montar o Departamento de Medicina Social da recém-criada Faculdade de Medicina da Universidade Federal, o qual hoje possui projeção nacional e internacional. Kurt aposentou-se há cerca de 10 anos, mas continuava voluntariamente suas atividades de ensino para acadêmicos de Medicina.
Nos últimos anos, Kurt deu prioridade a alcançar o público geral através de livros da série Primeiros Passos, da Editora Brasiliense, sobre temas como medicina preventiva, meio ambiente, contracepção, charlatanismo e superstição. Um adepto da jardinagem e da fotografia, Kurt trabalhava em um novo artigo no domingo, 5 de agosto de 2007, quando faleceu subitamente.
Sua defesa intransigente dos direitos dos pacientes e sua revolta contra o excesso de medicalização da sociedade e contra os charlatões – especialmente aqueles disfarçados de profissionais científicos – lhe renderam diversos inimigos, mas também uma legião de admiradores. Com seu bom-humor, Kurt escreveu uma vez o que gostaria que fosse seu epitáfio: “Procurou sarna para se coçar, e foi o que mais encontrou”. Kurt deixa saudades em todos; especialmente naqueles que tiveram o privilégio de tê-lo como professor e colega de trabalho.
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