Apesar das dificuldades, Adib Jatene chegou
ao ponto máximo na carreira. Nasceu no interior do Acre,
o pai morreu cedo, a mãe tinha dificuldade para se sustentar.
Mesmo assim, entrou na Faculdade de Medicina da USP, da qual virou
professor-titular.
Sem nunca estudar no exterior, suas experiências em
cirurgia cardíaca deram-lhe projeção internacional.
Quando olha para trás, Adib vê três mestres
que lhe ajudaram em sua receita de sucesso.
Quando Adib era criança, seu primeiro professor chamava-se
Benedito Marra da Fonseca e era cego de nascença. "Vi
como um cego era capaz de aprender, superando as dificuldades.Com
ele, Adib desenvolveu o raciocínio lógico-matemático.
"Aprendi matemática pelos olhos de um cego. Imagine
a força que isso tem para mim.
Tempos depois, veio Euryclides Zerbini, pioneiro nos transplantes
no Brasil que colocou Adib Jatene em sua equipe de cirurgia cardíaca.
"Mudou minha vida. Meu plano era me formar em saúde
pública e voltar para o Acre." Zerbini criou um ambiente
efervescente de pesquisas cardíacas, das quais Jatene participava,
o que lhe compensou, em parte, o fato de não ter estudado
nos Estados Unidos ou na Europa. Assim como a técnica, Zerbini
deixou-lhe uma frase, repetida sempre e, em especial, nos momentos
mais difíceis: ''Não há nada que resista ao
trabalho repete Adib Jatene.
O terceiro professor foi Dante Pazzanese que, além dos
conhecimentos médicos, foi autor de outra frase. "Ele
me dizia que devemos sempre combater dois sentimentos. A inveja,
que não nos deixa reverenciar quem é melhor do que
a gente, e a vaidade, que nos faz esquecer que sempre temos algo
a aprender com as pessoas."
O que ele está dizendo não é lição
de auto-ajuda. É apenas a receita do sucesso. Quando a
pessoa é talentosa, esforçada e ainda está
disposta a aprender sempre - e não se perde em invejas
e vaidades -, tende a chegar ao ponto mais alto da carreira profissional. |
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