“Se não fosse o Programa
Acompanhante de Saúde da
Pessoa com Deficiência, minha
filha estaria em casa, sem orientação,
e eu jamais saberia lidar com a
situação que estávamos vivendo”. A
declaração, emocionada, é da funcionária
pública estadual Rosângela
Santos, mãe de Franciele Oliveira
Santos, 16, que tem deficiência
intelectual moderada, caracterizada
por atraso no desenvolvimento,
dificuldades para aprender, realizar
tarefas do dia-a-dia e interagir com
o meio em que vive.
Ela descobriu o serviço há dez
meses, por meio de uma psicóloga
colega de trabalho. “Antes de entrar
no programa, Fran era muito ansiosa,
insegura, tinha sérias dificuldades de
aprendizagem e de relacionamento”. |

Cosme Cristiano é orientado pela agente Neusa de Amorim Azocar
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melhorou no relacionamento pessoal
e na integração com a sociedade.
Hoje ele participa de reuniões e
passeios. Apesar de não saber ler e
escrever, Cosme Cristiano se expressa tão bem que, às vezes, conduz os
encontros”, afirma. Por incentivo da
equipe do programa na UBS Santa
Cecília, Cosme Cristiano tornou-se
pintor. Ele já fez seis quadros. Todos
vão compor uma exposição que será montada na unidade em dezembro. “O Acompanhante de Saúde da
Pessoa com Deficiência foi a melhor
coisa que aconteceu na vida do meu
filho”, diz Arimar.
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Hoje, conta Rosângela, sua filha é outra pessoa. “Ela está mais calma e
segura. Faz coisas que antes eu não
imaginava que seria capaz, como
andar pela Cidade sozinha, usar
transporte público, pagar contas em
banco com cartão de débito e fazer
compras em supermercado”. A adolescente
faz curso de informática – foi
encaminhada pelo próprio programa – e não tem mais dificuldade para se
relacionar. “Minha filha achava que
as pessoas a tratavam com indiferença,
mas essa cisma foi embora. Ela se
acha tão capaz que luta pelos seus
direitos”, comemora a mãe.
Qualquer pessoa com deficiência
intelectual pode ser atendida pelo
Programa Acompanhante de Saúde
da Pessoa com Deficiência. Em pouco
mais de um ano de funcionamento, o
serviço tem cerca de 1.300 assistidos.
Implantado em maio de 2010,
pela coordenação de Atenção Básica da Secretaria Municipal da Saúde em parceria com a Associação Saúde da
Família (ASF), o programa desenvolve
ações nos domicílios, na comunidade
e em unidades de saúde. O objetivo é realizar articulações para ampliar
a participação social da pessoa com
deficiência intelectual, para o desenvolvimento
de iniciativa e autonomia
na utilização dos serviços disponíveis
na região em que mora.
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A responsável pela Saúde da
Pessoa com Deficiência da Secretaria
Municipal da Saúde, Sandra Maria
Vieira Tristão de Almeida, explica
que o programa oferece suporte às famílias, fortalece os vínculos
familiares, avalia as necessidades de
saúde da pessoa com deficiência,
identifica suas potencialidades e
promove ações para o aumento de
sua autonomia e maior participação e
inclusão na sociedade. “Esse trabalho
se integra e complementa as ações
desenvolvidas no Núcleo Integrado
de Reabilitação (NIR), que atua na
prevenção de deficiências, orientação familiar, acompanhamento e reabilitação,
incluindo o fornecimento
de órteses e meios auxiliares de
locomoção”, afirma.
Cosme Cristiano de Andrade
Araújo, de 38 anos, é outro exemplo
bem-sucedido dentro do programa.
Ele tem deficiência intelectual e também
motora, anda com dificuldade
e não tem coordenação na mão direita.
Segundo avaliação de sua mãe,
Arimar da Silveira, Cosme Cristiano
melhorou quase 100% em relaçãoà época que iniciou no programa. Ela
conta que o rapaz frequentou várias
escolas especiais, mas nenhuma surtiu
efeito. Arimar conheceu o serviço
quando trabalhava em um salão de
beleza, por indicação de uma cliente,
que era funcionária do programa. “Graças ao Acompanhante de Saúde
da Pessoa com Deficiência, meu filho |
O que é deficiência
intelectual
Segundo a Associação Americana
sobre Deficiência Intelectual
do Desenvolvimento (AAIDD),
a doença caracteriza-se por um
funcionamento intelectual inferior à média (QI), associado a
limitações adaptativas em pelo
menos duas áreas de habilidades
(comunicação, cuidados pessoais,
vida no lar, adaptação social, saúde
e segurança, uso de recursos
da comunidade, determinação,
funções acadêmicas, lazer e trabalho),
que ocorrem antes dos 18
anos de idade.
Alguns sintomas podem ajudar a
identificar a deficiência intelectual:
atraso no desenvolvimento; dificuldades
para aprender e realizar
tarefas do dia-a-dia e interagir com
o meio em que vive; existência de
um comprometimento cognitivo,
que ocorre antes dos 18 anos e
prejudica suas habilidades adaptativas,
resultado, quase sempre,
de uma alteração no desempenho
cerebral, provocada por fatores
genéticos, distúrbios na gestação,
problemas no parto ou na vida
após o nascimento. |
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