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Saúde oferece atendimento específico a pessoas com deficiência intelectual



Matéria extraída do Diário Oficial da Cidade de São Paulo - Ano 56 - N° 209 - de 08 de novembro de 2011


Texto: Patrícia Pasquini
ppasquini@prefeitura.sp.gov.br

“Se não fosse o Programa Acompanhante de Saúde da Pessoa com Deficiência, minha filha estaria em casa, sem orientação, e eu jamais saberia lidar com a situação que estávamos vivendo”. A declaração, emocionada, é da funcionária pública estadual Rosângela Santos, mãe de Franciele Oliveira Santos, 16, que tem deficiência intelectual moderada, caracterizada por atraso no desenvolvimento, dificuldades para aprender, realizar tarefas do dia-a-dia e interagir com o meio em que vive.
Ela descobriu o serviço há dez meses, por meio de uma psicóloga colega de trabalho. “Antes de entrar no programa, Fran era muito ansiosa, insegura, tinha sérias dificuldades de aprendizagem e de relacionamento”.

Cosme Cristiano é orientado pela agente Neusa de Amorim Azocar
melhorou no relacionamento pessoal e na integração com a sociedade. Hoje ele participa de reuniões e passeios. Apesar de não saber ler e escrever, Cosme Cristiano se expressa tão bem que, às vezes, conduz os encontros”, afirma. Por incentivo da equipe do programa na UBS Santa Cecília, Cosme Cristiano tornou-se pintor. Ele já fez seis quadros. Todos vão compor uma exposição que será montada na unidade em dezembro. “O Acompanhante de Saúde da Pessoa com Deficiência foi a melhor coisa que aconteceu na vida do meu filho”, diz Arimar.
Hoje, conta Rosângela, sua filha é outra pessoa. “Ela está mais calma e segura. Faz coisas que antes eu não imaginava que seria capaz, como andar pela Cidade sozinha, usar transporte público, pagar contas em banco com cartão de débito e fazer compras em supermercado”. A adolescente faz curso de informática – foi encaminhada pelo próprio programa – e não tem mais dificuldade para se relacionar. “Minha filha achava que as pessoas a tratavam com indiferença, mas essa cisma foi embora. Ela se acha tão capaz que luta pelos seus direitos”, comemora a mãe.

Qualquer pessoa com deficiência intelectual pode ser atendida pelo Programa Acompanhante de Saúde da Pessoa com Deficiência. Em pouco mais de um ano de funcionamento, o serviço tem cerca de 1.300 assistidos. Implantado em maio de 2010, pela coordenação de Atenção Básica da Secretaria Municipal da Saúde em parceria com a Associação Saúde da Família (ASF), o programa desenvolve ações nos domicílios, na comunidade e em unidades de saúde. O objetivo é realizar articulações para ampliar a participação social da pessoa com deficiência intelectual, para o desenvolvimento de iniciativa e autonomia na utilização dos serviços disponíveis na região em que mora.
A responsável pela Saúde da Pessoa com Deficiência da Secretaria Municipal da Saúde, Sandra Maria Vieira Tristão de Almeida, explica que o programa oferece suporte às famílias, fortalece os vínculos familiares, avalia as necessidades de saúde da pessoa com deficiência, identifica suas potencialidades e promove ações para o aumento de sua autonomia e maior participação e inclusão na sociedade. “Esse trabalho se integra e complementa as ações desenvolvidas no Núcleo Integrado de Reabilitação (NIR), que atua na prevenção de deficiências, orientação familiar, acompanhamento e reabilitação, incluindo o fornecimento de órteses e meios auxiliares de locomoção”, afirma.

Cosme Cristiano de Andrade Araújo, de 38 anos, é outro exemplo bem-sucedido dentro do programa. Ele tem deficiência intelectual e também motora, anda com dificuldade e não tem coordenação na mão direita. Segundo avaliação de sua mãe, Arimar da Silveira, Cosme Cristiano melhorou quase 100% em relaçãoà época que iniciou no programa. Ela conta que o rapaz frequentou várias escolas especiais, mas nenhuma surtiu efeito. Arimar conheceu o serviço quando trabalhava em um salão de beleza, por indicação de uma cliente, que era funcionária do programa. “Graças ao Acompanhante de Saúde da Pessoa    com    Deficiência,     meu     filho

O que é deficiência intelectual

Segundo a Associação Americana sobre Deficiência Intelectual do Desenvolvimento (AAIDD), a doença caracteriza-se por um funcionamento intelectual inferior à média (QI), associado a limitações adaptativas em pelo menos duas áreas de habilidades (comunicação, cuidados pessoais, vida no lar, adaptação social, saúde e segurança, uso de recursos da comunidade, determinação, funções acadêmicas, lazer e trabalho), que ocorrem antes dos 18 anos de idade.

Alguns sintomas podem ajudar a identificar a deficiência intelectual: atraso no desenvolvimento; dificuldades para aprender e realizar tarefas do dia-a-dia e interagir com o meio em que vive; existência de um comprometimento cognitivo, que ocorre antes dos 18 anos e prejudica suas habilidades adaptativas, resultado, quase sempre, de uma alteração no desempenho cerebral, provocada por fatores genéticos, distúrbios na gestação, problemas no parto ou na vida após o nascimento.



Foto: cortesia ACI/SMS

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