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Diagnóstico de transtornos psíquicos é complexo
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Matéria extraída da Revista Super Saudável - Publicação da Yakult do Brasil - Ano X - N° 47 - Julho a Setembro/2010
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Profissionais da saúde, entidades, familiares e governo buscam o fim definitivo dos manicômios no Brasil
Adenilde Bringel
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As estimativas do Ministério da Saúde indicam que cerca de 3% da população brasileira - ou 5,7 milhões de indivíduos -, em todas as faixas etárias, necessitam de cuidados contínuos em saúde mental, em razão de transtornos mentais severos e persistentes, como psicoses, neuroses graves, transtornos de humor graves ou deficiência mental com grande dificuldade de adaptação. Outros 9% (17,1 milhões) precisam de cuidados em saúde mental na forma de consulta médico-psicológica, aconselhamento, grupos de orientação e outras formas de abordagem, por serem transtornos considerados leves. Já os transtornos associados a álcool e outras drogas atingem aproximadamente 12% da população acima de 12 anos de idade, com impacto da dependência por álcool 10 vezes maior que o conjunto de drogas ilícitas.
No entanto, os números podem não mostrar claramente a realidade, pois não há exames que possibilitem a identificação dessas doenças e, para chegar ao diagnóstico, os profissionais se baseiam apenas na história contada pelo paciente, na observação durante a consulta e na forma como a doença impacta a vida do indivíduo. "Por isso, muitas vezes é difícil chegar a um diagnóstico preciso. Há situações em que temos dificuldade de diferenciar uma depressão leve de uma tristeza, pois não é simples identificar onde termina a tristeza normal, que todos sentimos em algum momento da vida, e começa a patológica", informa o psiquiatra Leon Garcia, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP) e assessor técnico do Programa de Saúde da Família - Associação Saúde da Família de São Paulo.
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Pesquisas indicam que, no espaço de um ano, de 20% a 30% da população adulta vai passar por um momento de sofrimento mental e necessitará de algum tipo de ajuda, o que significa que os profissionais da saúde devem estar preparados para atender e orientar esses pacientes. "Diagnosticar é descobrir quem são os indivíduos que precisam de ajuda do ponto de vista da saúde pública, que não é simplesmente tomar remédio ou passar por consulta |
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psiquiátrica ou psicoterapia", esclarece o especialista. Há um consenso de que o sofrimento mental comum é melhor tratado na atenção primária à saúde. Atualmente, essa entrada ocorre por meio do Programa de Saúde da Família, que atende mais da metade da população brasileira.
Também é consenso entre a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Ministério da Saúde e a comunidade científica e psiquiátrica no Brasil que os profissionais da rede básica, muitas vezes, são os primeiros a ser procurados pelos pacientes com transtornos psíquicos. No entanto, nem sempre estão |
preparados para realizar diagnóstico e tratamento, ou mesmo fazer o encaminhamento para um profissional habilitado, devido à pouca capacitação na área de saúde mental. "Os médicos generalistas precisam ser treinados, pois a graduação e as residências médicas são deficientes em Psiquiatria e saúde mental", alerta o psiquiatra Leon Garcia.
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LIVRO AJUDA PROFISSIONAIS DO PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA
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A enfermeira especializada em saúde mental Paula Cambraia de Mendonça Vianna, docente da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (EE-UFMG), concorda que há uma deficiência na formação acadêmica, que não acompanha de forma incisiva os pressupostos da reforma psiquiátrica. Com isso, os graduados não são preparados para assumir a prática na área de saúde mental de forma desenvolta. Para ajudar nesta tarefa, a professora escreveu, juntamente com o médico psiquiatra e consultor em saúde mental e atenção primária Alexandre de Araújo Pereira, o livro 'Saúde Mental', concebido pelo Núcleo de Estudos em Saúde Coletiva da UFMG.
Dirigido a profissionais do Programa Saúde da Família, o livro texto de saúde mental é utilizado no curso de especialização em Saúde da Família da UFMG. "Se pensarmos que a atenção básica é a porta de entrada para o atendimento, esses profissionais têm de estar capacitados a acolher e cuidar dos portadores de transtornos psíquicos", argumenta a autora. Além de explicar a construção histórica, política e cultural da doença mental, o livro aborda a atenção em saúde mental, os cuidados e alguns casos clínicos. Os profissionais têm, ainda, a possibilidade de dialogar com colegas por meio de orientação on-line, realizada por tutores da instituição. |
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Fotos: Nuno Silva / Istockphoto
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